Percebemos que a ligação entre literatura e realidade social se apresenta de modo orgânico e vital, visto que o escritor, produtor literário, enquanto ser histórico, não se desvincula de seu tempo e de seus semelhantes, escrevendo sobre a realidade da qual faz parte. O escritor recorta do real determinados acontecimentos e situações, plasmando-os a partir da forma literária (romance, conto, novela, poema, drama, tragédia, comédia). Ocorre, portanto, uma ficcionalização da realidade, visto que esta adentra o universo das palavras, da literatura. Essa transferência da realidade para a ficção ocorre segundo a visão de mundo do escritor, ou seja, ele poderá representar a realidade sócio-histórica de diferentes maneiras. Operará uma transfiguração do real segundo sua visão da existência, que poderá se efetivar como trágica, cômica, cética, otimista, mística, realista, romântica, entre outras possibilidades.
“A literatura é um fenômeno estético. É uma arte da palavra. Não visa a informar, ensinar,
doutrinar, pregar, documentar. Acidentalmente, secundariamente, ela pode fazer isso, pode conter
história, filosofia, ciência, religião. O literário e o estético inclui precisamente o social, o histórico,
o religioso, etc., porém transformando esse material em estético”.
(Afrânio Coutinho, crítico literário brasileiro)
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